Estação Utinga chega a 85 anos com problemas e alvo de críticas

Uma das paradas férreas mais antigas da região enfrenta faltas de segurança e de manutenção

Uma das saídas aponta: Avenida da Paz. Mas que paz? Não há essa sensação ao embarcar para uma viagem de trem na Estação Utinga, em Santo André, que hoje completa 85 anos. Os usuários não têm razão para comemorar, pois o local virou sinônimo de falta de segurança e sujeira no entorno e problemas de falta de manutenção na área interna. A estação, com jeito calmo e monótono, recebe cerca de 11 mil passageiros por dia, dentro do circuito da Linha 10 – Turquesa, que atualmente opera com nove paradas espalhadas por cinco cidades do Grande ABC.


Há muito tempo, as estruturas, de arquitetura inglesa, são marcadas pela ação do tempo e falta de conservação daquele espaço, que em meados de 1930, quando o mundo vivia os impactos da crise econômica de 1929, o Grande ABC era visto como ‘caminho de ouro’ para os europeus, que no trajeto vislumbravam as belezas da Serra do Mar, entre São Paulo e Santos, a expansão industrial paulista e o potencial do transporte de cargas pelas linhas férreas.



A importância histórica da Estação Utinga está diretamente ligada à industrialização do bairro, que ficou conhecido como Vila Metalúrgica, ponto das primeiras fábricas e loteamentos urbanos de Santo André às margens do Rio Tamanduateí, no século 20, que atraiu milhares de trabalhadores para aquela região e empresas como a Laminação Nacional de Metais e Swift.

Se faltam recursos para melhor conservação e acessibilidade nas dependências do lugar, o entorno da estação parece sumir na falta de segurança, de manutenção em ruas e calçadas e coleta de lixo. “Tenho muito medo. A falta de segurança para chegar aqui, e mesmo dentro do vagão, é enorme. Minhas filhas usam (o trem) diariamente para trabalhar em São Caetano, mas não fico tranquila enquanto elas não chegam em casa”, desabafa a agente escolar Claudia Julião.
Na divisa com São Caetano, a estação andreense parece ir do céu ao inferno se considerar que uma de suas saídas, a que direciona para a cidade vizinha, mostra-se menos chocante de perigo e falta de serviços urbanos, que o acesso de Santo André, fincado em meio a um lixão entre os trilhos velhos e a entrada da favela do Cigano. “Vivemos esses problemas há muito tempo. Tudo enferrujado e pichado. Não dá!”, diz o aposentado Osmar Aparecido Pancani, que parece fazer coro à opinião de vários usuários que reclamam em igualdade das faltas de segurança, de iluminação e de conservação da antiga estação.
Em maio, o Diário publicou reportagem sobre as reclamações constantes de roubos e furtos de objetos dentro e fora dos vagões, principalmente nos horários entre 4h30 e 8h, das 17h às 20h e após as 21h, quando aumenta o fluxo de passageiros.
Em nota, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) pontua que está realizando obras de adequação de acessibilidade nas estações Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, com prazo de conclusão até o fim deste ano, com investimento de R$ 1,7 milhão, e que as outras paradas receberão os mesmos serviços até 2020.
Sobre a segurança, a empresa garante que foi reforçada na Estação Utinga e que desde o fim de junho não houve novas ocorrências policiais, reforçando que os usuários podem denunciar atitudes suspeitas pelo serviço do SMS-Denúncia, no 97150-4949.


Questionada sobre as péssimas condições de conservação da área de uso férreo para vagões de carga na Estação Utinga, a concessionária MRS Logística declarou não ter tido condições de apurar as informações até o fechamento desta edição.
Já a Prefeitura de Santo André destaca que, para combater problemas de descarte irregular de lixo, realiza nas imediações da estação e da favela do Cigano o projeto Moeda Verde, pelo qual as pessoas podem trocar lixos recicláveis por alimentos.
A administração ressalta que está ampliando o monitoramento por câmeras e realizando ações específicas com a GCM (Guarda Civil Municipal). Entre as quais, a Ponto Seguro, operação que cuida dos trabalhadores nas paradas de ônibus e estações de trem. No período noturno, as viaturas realizam rondas setoriais na região para coibir atos de criminalidade.
Sobre a conservação de áreas verdes do entorno da estação, garante que nos próximos dias realizará cronograma de roçagem e capinagem próximo ao terminal.
Especialista prega investimento contínuo
A necessidade de investimentos para melhorar o transporte nas linhas férreas, tanto de passageiros quanto de cargas, é um caminho necessário na visão do engenheiro especialista em trânsito do Centro Universitário da FEI Creso de Franco Peixoto.
Em sua análise sobre a Estação Utinga de trens, o especialista destaca que a construção fez parte de um plano para efetivação de soluções para o transporte paulista no século 20, sendo não só um marco para a região, mas também para o Estado de São Paulo.
“O volume de cargas que já passou por lá marcou emprego, indústria e outras grandes riquezas de uma macroárea. A ferrovia deve muito para esta linha e para a economia brasileira. Precisamos de projetos para revitalizar e fazer com que o trem volte a integrar São Paulo a Santos, fazendo assim, trabalhos de incentivo junto com o futuro do ferroanel e soluções para acabar com a poluição, a falta de capacidade de tráfego, congestionamento e estresse, aumentando a extensão das linhas de trem e Metrô”, conclui o professor.

Fonte: Diário do Grande ABC


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