Mulheres relatam tentativas de estupro na Vila Mariana, em SP

Apesar de não existir, até o momento, registros de boletins de ocorrências, estudantes relatam medo e violência sexual nas imediações do metrô

Estudantes de faculdades e cursinhos universitários da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, relatam por meio de grupos em redes sociais supostos estupros e tentativas de estupro que teriam ocorrido na região desde o sábado (18). Uma das estudantes da região que não quis se identificar afirmou que desde sábado teriam ocorrido três estupros e três tentativas.

Desde o sábado (18), publicações em redes sociais alertam jovens que passam pelas ruas do bairro. “Acho que todo mundo está assustado com a questão dos assédios na Vila Mariana”, publicou uma jovem. "Precisamos nos unir, estou publicando abertamente para todas as mulheres que frequentam esse lugar se sentirem à vontade pra entrar no grupo que vou criar. Lá vamos criar uma palavra de emergência e deixar as localizações, caso alguém precise."


O clima entre os alunos é de medo e tensão. Entre os grupos de Whatsapp, circulam mensagens com relatos de que suspeitos estariam puxando meninas para dentro de veículos nas entradas e saídas do metrô.

Procurado pela reportagem do R7, a assessoria de imprensa do Metrô afirmou que uma jovem procurou as equipes do metrô no sábado (18), no período da manhã. “Ela informou que havia sido vítima de crime sexual, foi atendida e a equipe ofereceu encaminhamento hospitalar, mas ela recusou”, informou.

“Com isso, a equipe perguntou se ela queria acompanhamento até a casa dos pais e ela aceitou.” De acordo com o órgão, este foi o único registro nas imediações da estação nos últimos dias.

O cursinho Poliedro, que teria sido citado como um dos locais em que as vítimas dos supostos crimes estudariam, afirmou por meio de nota que acompanha os rumores nas redes sociais de que uma jovem teria sido violentada nas proximidades do metrô Vila Mariana.


“Até o momento, não recebemos nenhum registro que possa confirmar o fato. Ainda assim, lamentamos profundamente o suposto episódio e reforçamos com os alunos e colaboradores as recomendações em relação à segurança. Além disso, solicitamos às autoridades públicas locais reforço no apoio.”

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, não há nenhum registro referente a crimes sexuais na região desde sábado. A SSP informou que não há registros nas delegacias que atendem à região, o 36º DP (Vila Mariana) e 16º DP (Vila Clementino). Segundo dados da pasta, no 16º DP foram registrados 10 ocorrências de estupro e no 36º DP foram registradas seis ocorrências deste tipo de crime nesse ano.

A promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo, que atua no enfrentamento da violência contra a mulher, publicou uma mensagem nas redes sociais para incentivar a denúncia formal dos crimes. “Sem registros, fica difícil identificar responsáveis e mais complicado exigir providências de segurança pública. A violência sexual que vitima, na grande maioria das vezes, meninas e mulheres, é das mais subnotificadas”, escreveu.

“A violência sexual que vitima, na grande maioria das vezes, meninas e mulheres, é das mais subnotificadas. Vergonha, medo, descrédito nas instituições, receio de revitimização, dentre outros fatores, têm levado essas meninas a não denunciarem.”

Para a promotora, o medo no momento de denunciar é reflexo de um passado onde a violência sexual representava a diminuição da honra da mulher e sua desvalorização perante a sociedade. “Infelizmente, ainda hoje, persiste a noção de vergonha, como se fossem as ações da vítima, e não as do agressor, que determinassem a violência. Até quando?”

Fonte: R7


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