Rede metroviária de SP está em menos de um terço do previsto

O primeiro Plano Integrado de Transportes Urbanos previa quase 300 quilômetros de extensão do Metrô.

Se todas as promessas políticas tivessem saído do papel, a rede metroviária de São Paulo estaria entre as dez maiores do mundo, com quase 300 quilômetros de extensão. Hoje são 89 quilômetros – menos de um terço do previsto. É que parte das obras nem sequer saiu do papel. As que foram concluídas saíram com atraso.

O primeiro Plano Integrado de Transportes Urbanos, lançado há quase 20 anos, previa a ligação ferroviária entre a capital e Campinas, Sorocaba e São José dos Campos. Os trilhos também fariam a ligação entre os aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Campo de Marte. O Rodoanel, por exemplo, era pra estar pronto, mas a cada ano as entregas são adiadas e as obras já duram duas décadas.


O monotrilho também conta com um vasto histórico de atrasos. A Linha Bronze, que faria a ligação entre a capital e o ABC, não saiu do projeto. Já a Linha Ouro, com parada principal no aeroporto de Congonhas, era para antes da Copa de 2014.

Isso sem falar dos escândalos de corrupção. No Ministério Público são pelo menos 40 inquéritos civis relacionados às grandes obras do governo paulista que, nos últimos 23 anos, foi comandado pelo PSDB. Além de punir empresas e agentes públicos, o objetivo é recuperar o dinheiro. O promotor José Carlos Blat disse que os acordos preveem ainda dano moral coletivo.

"A população acaba espremida no trem da CPTM, no trem do metrô, nos congestionamentos diários. É uma série de circunstâncias que está direta ou indiretamente ligada a esses grandes escândalos de corrupção que causaram um malefício enorme a toda a sociedade."


O engenheiro Vagner Landi foi impactado pelos atrasos das obras do monotrilho. Com a promessa de que a Linha Ouro seria entregue antes da Copa de 2014, ele comprou um apartamento para investir o dinheiro que tinha guardado, mas nunca conseguiu alugar o imóvel.

"A obra não vai ficar pronta, pelo que a gente vê, nem em 2019. Não tem cronograma, é uma enganação total."

Francisca Mendes foi ainda mais impactada pelos atrasos. Ela morava na favela Buraco Quente e teve que sair de lá por causa do monotrilho. A promessa era de que uma moradia popular seria entregue ali perto, mas nem o monotrilho nem o prédio saíram do papel.

"Acabou que nem fizeram estação. Depois falaram que iam fazer uma praça. A gente lutou, batalhou e não construíram. Sempre preço pra Deus que, antes de morrer, eu quero ter a minha casa."

Fonte: CBN


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