Após 3 anos da liberação de aplicativos de transportes em SP Ônibus perdem 5% dos passageiros

Decreto de maio de 2016 foi pioneiro ao regulamentar sistema, que contribuiu para queda da demanda do transporte público, segundo especialistas


Três anos após a Prefeitura de São Paulo liberar o funcionamento de aplicativos de transporte, como o Uber e Cabify, o número de passageiros transportados pelos ônibus municipais caiu 5,1%, segundo dados da SPTrans.

Para especialistas em transporte, vários fatores podem ajudar a explicar o fenômeno, como feriados, a crise econômica e a inauguração de novas estações do Metrô e da CPTM. O crescimento dos aplicativos de transporte individual, porém, também é apontado como uma das razões para essa mudança na mobilidade da capital.


Os apps foram autorizados pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT) por meio de um decreto, em maio de 2016. Antes, o Uber operava por meio de uma liminar.

Nos primeiros 12 meses contados a partir do mês da aprovação, os ônibus municipais fizeram 2,89 bilhões de viagens de passageiros. No ano seguinte, entre maio de 2017 e abril de 2018, esse número caiu para 2,85 bilhões. Agora, até abril de 2019, nova queda foi registrada: 2,74 bilhões de viagens de passageiros.

As quedas representam uma redução no número de passageiros em relação ao verificado na década, já que anualmente o total de viagens ficava em torno de 2,9 bilhões de viagens por ano.

Para o consultor em transportes Horácio Figueira, é notória a influência dos aplicativos no mercado porque eles são um atrativo, especialmente quando há mais de uma pessoa a ser transportada e a conta pode ser dividida. "A comodidade e o preço acabam atraindo pessoas. Conheço gente que não está indo com seu carro para o trabalho, nem de ônibus, mas de aplicativo".

Ele opina que o novo serviço possivelmente impactou também o transporte sobre trilhos, mas fazer essa associação em números é mais difícil porque Metrô e CPTM inauguraram estações no período e registram aumento de viagens.


Figueira afirma que a perda de passageiros pelo transporte público e um possível aumento de carros nas vias têm influência na mobilidade. Ele diz, porém, ser contrário a limitar a atuação dos aplicativos e que o próprio mercado acabará por se autorregular.

Para o presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos, Ailton Brasiliense, há um entendimento no setor de que os aplicativos causaram perda de demanda, especialmente em grandes cidades como São Paulo. “A viagem de carro a preço acessível acaba roubando parte dos passageiros do transporte público. Nova York já adotou medidas restritivas. Acredito que é um debate que precisará ser feito em algum momento", afirma.

SPTrans

A SPTrans, empresa municipal que administra o serviço de ônibus, afirma que a variação na quantidade de passageiros transportada está relacionada com a inauguração de novas estações e trechos de linhas de sistemas de transporte de massa por trilhos.

"Linhas como a 4-Amarela e 5-Lilás trazem outras opções de deslocamento de uma parcela da demanda de passageiros de ônibus na cidade", diz em nota. Outra fator são as ações de combate às fraudes no uso de gratuidades realizadas pela SPTrans.

Já o metrô perdeu passageiros por seguidos anos, mas retomou o crescimento em 2018, com a inauguração de várias estações. A CPTM acumula dois anos de alta na demanda.

Liberação

O decreto criado em São Paulo em 2016 foi pioneiro ao liberar o funcionamento dos aplicativos, em meio à disputa pelo mercado com taxistas. No início de 2018, a Câmara dos Deputados liberou o funcionamento dos aplicativos no país, derrubando uma exigência aprovada anteriormente que obrigaria os veículos a terem placa vermelha - uma exigência para veículos de transporte público no país.


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