STJ derruba liminar e Vale-Transporte voltará a ter somente dois embarques em São Paulo

Portaria fixou valores diferentes para vale-transporte e Bilhete Único. Decisão liminar do presidente da Corte vale até que o Tribunal de Justiça de SP analise definitivamente a questão.

Foto: Divulgação

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, suspendeu 19 decisões provisórias da Justiça paulista e permitiu que a Prefeitura de São Paulo cobre tarifas superiores e dê tratamento diferenciado aos usuários do vale-transporte.

A decisão liminar (provisória), concedida nesta quinta-feira (13), vale até que o Tribunal de Justiça de São Paulo julgue definitivamente as ações que contestam as medidas tomadas pela prefeitura paulistana. Noronha atendeu a um pedido do município.


Em dezembro de 2018, uma portaria da Secretaria Municipal de Transportes estabeleceu a cobrança do valor de R$ 4,57 para os usuários de vale-transporte, em patamar superior à tarifa do Bilhete Único Comum, que é de R$ 4,30.

Em outra frente, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), fixou, por meio de um decreto publicado em fevereiro, alterações nas condições que permitem mais de um embarque para uma única tarifa.

O decreto estabelecia que o usuário de vale-transporte poderia fazer até dois embarques no período de 3 horas, enquanto que os usuários do Bilhete Único poderiam fazer até quatro embarques no mesmo período.

Após a publicação do decreto e da portaria municipal, as normas foram contestadas na Justiça e os efeitos da decisão do prefeito paulistano foram suspensos, impedindo a Prefeitura de tratar de forma diferente os usuários


No domingo (9), a Prefeitura anunciou que iria cumprir a decisão da Justiça e informou que a partir da 0h desta segunda-feira (10), os usuários do sistema poderiam realizar até 4 embarques em ônibus diferentes no período de 3 horas ao valor de R$ 4,30.

Com a decisão desta quinta do presidente do STJ, as regras estabelecidas pelos atos normativos voltam a valer.

Ônus adicional ao município

Na decisão, João Otávio de Noronha ressaltou que o cumprimento das decisões provisórias implicaria "ônus adicional às contas municipais".

Para o presidente do STJ, a suspensão das normas poderia afetar "significativamente o equilíbrio do erário e, consequentemente, a prestação de serviços essenciais à coletividade".

"Na espécie, o requerente comprovou, aritmeticamente, que o custo real de cada passagem equivale ao valor unitário de R$ 4,57, demonstrando que a diferença de R$ 0,27 entre o valor integral da tarifa de ônibus e o montante cobrado do usuário comum (R$ 4,30) já é efetivamente subsidiada pelo município", argumentou o presidente do STJ no despacho.

(*) Com informações do Portal G1


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