Uber lança programa para atrair motoristas mulheres, hoje apenas 6%

Mulheres motoristas poderão escolher levar somente mulheres quando desejarem e ter desconto para alugar carros

Foto: Reprodução

A partir de agora, mulheres motoristas da Uber poderão escolher levar somente mulheres.

A ferramenta foi batizada de “U-Elas” e por ora, funcionará como piloto em Campinas, Curitiba e Fortaleza. Quando desejar, a motorista poderá ativar um botão em seu aplicativo que aceitará somente passageiras mulheres. O filtro poderá ser desativado a qualquer momento, com a motorista voltando a levar passageiros homens.


A iniciativa faz parte do programa “Mulheres na Direção”, que a Uber anunciou nesta quinta-feira 24 e que terá diversos incentivos para que mulheres dirijam com a Uber.

Apenas 6% dos 600.000 motoristas da Uber no Brasil são mulheres. Claudia Woods, diretora-executiva da Uber no Brasil, afirma que a iniciativa tem o objetivo de aumentar esse número e facilitar a autonomia e empreendedorismo das mulheres que desejam dirigir com a Uber.

A Uber fez uma pesquisa em parceria com o Banco Mundial e descobriu que, para 64% delas, segurança era um dos principais desafios para que mulheres começassem a dirigir. A possibilidade de levar só mulheres deve funcionar como um incentivo para as motoristas usarem a plataforma em diferentes momentos do dia.

Outra das barreiras citadas por mais de 30% das motoristas foi o acesso ao carro. A Localiza, parceira da Uber na locação de carros, vai oferecer condições diferenciadas para mulheres, como a locação sem exigência de cartão de crédito. O programa funciona a princípio nas cidades piloto, mas a Localiza vai oferecer também 10% de desconto para que mulheres motoristas da Uber aluguem carros nas demais cidades.

No programa Uber Pro, que já oferece vantagens como descontos e educação para os motoristas parceiros, as mulheres também terão descontos específicos. As motoristas terão descontos em academia, como a SmartFit, em programas de saúde e em faculdades da Kroton (incluindo para as famílias).

Uma pesquisa da Rede Mulher Empreendedora mostra que, nos negócios geridos por mulheres no Brasil, 50% fatura até 2.500 reais por mês (ante 38% dos homens). “São negócios de subsistência, de sobrevivência”, fiz Ana Fontes, fundadora da Rede. Ao decidir trabalhar de forma autônoma ou abrir o próprio negócio, as mulheres buscam sobretudo flexibilidade para ficar perto da família, muito mais do que homens empreendedores — as mulheres gastam 24% mais tempo em cuidados com a família do que os homens, segundo a Rede Mulher Empreendedora.

A Uber também oferecerá um braço de educação, com cursos e conteúdo para as motoristas parceiras, como educação financeira e gestão do negócio, enviadas por WhatsApp e disponíveis no YouTube. A Rede Mulher Empreendedora e mais de dez organizações e empresas serão parceiras da Uber na iniciativa.


Nas três cidades piloto, a Uber também garantirá uma renda mínima entre 1500 e 1600 reais para as mulheres que começarem a dirigir, nas 100 primeiras viagens. Woods afirma que a garantia de renda é um fator importante, e quer mostrar que a Uber está por trás, dando apoio. Um estudo da própria Uber nos EUA mostrou que motoristas mulheres ganham menos do que homens parceiros. Woods afirma que a variação tem a ver com horários de pico ou região. “A educação será importante para que ela entenda como a plataforma funciona e dentro dela, possa maximizar a renda”, diz.

A Uber vem trabalhando no projeto há um ano, segundo Woods. Além das três cidades piloto, o programa começará a ser expandido para as demais cidades brasileiras em 2020. A Uber ainda não tem uma meta de quanto o número de mulheres poderá crescer com o novo programa. “Vai ser um grande laboratório para entendermos como as mulheres aderem à plataforma”, diz Woods.

Pelo lado dos passageiros, passageiras mulheres ainda não têm a opção de escolher viajar apenas com motoristas mulheres — uma função oferecida, por exemplo, pela concorrente Lady Driver.

Woods afirma que, com a baixa quantidade de motoristas mulheres, isso ainda não é possível, pois reduziria a velocidade do serviço, um vez que seria muito difícil encontrar uma motorista.

“Esse é o objetivo final” diz Woods. “E para isso, precisamos primeiro aumentar a quantidade de motoristas mulheres na nossa plataforma”, diz a executiva.

Woods conta que veio ao evento de anúncio do “Elas na Direção” justamente com uma motorista mulher. “Ela nem imagina o que vim fazer aqui”, brinca.

(*) Com informações da Exame Abril


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